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Dossiê de Inclusão - Eunice Gasparin

Page history last edited by Eunice Gasparin 13 years, 3 months ago

Minha Experiência com Educação Especial

 

Quando trabalhava com a educação infantil, há cerca de três anos atrás, conheci Lucas. Ele chegou à escola acompanhado pelo pai, uma semana após as aulas terem iniciado. Me chamou a atenção o fato de estarmos no verão e o menino estar usando um moletom e ter a cabeça coberta com o capuz do mesmo. Cumprimentei ambos, perguntei o nome ao menino e convidei-o para entrar. Percebi que tinha problemas na fala e na locomoção. Andava esquisito.

O pai retirou-se sem me dizer uma só palavra. Então sugeri para o menino que tirasse o capuz, pois estava calor. Ele acenou negativamente com a cabeça. Tentei conversar com ele, e fazer com que se apresentasse aos colegas. ele balbuciou algo que não entendi. Começamos a primeira atividade e ela envolvia desenho. Ele desenhou algo que deduzi ser um pacote de bolachas porque estava escrito "Bono" . Comentei com ele: Ah que legal, você desenhou um pacote de bolachinhas... e perguntei se ele estava com fome. Ele não respondeu nada, apenas pegou o lápis e acrescentou após a palavra  "Bono", Vox. Fiquei sem ação. Aquilo não era um pacote de bolachas, era um palco e o Bono Vox, que na época estava no Brasil. Lucas havia assistido o Show do cantor pela televisão, juntamente com a irmã adolescente.

Chegada a hora do recreio, o inevitável aconteceu. Lucas teve o capuz removido pelos colegas e ouvi gritos, risos e a palavra " cabeção" ecoando aos quatro cantos, quase que, em côro. Os gritos eram do menino que chorava e pronunciava a palava "Quica" incessantemente. Afastei as outras crianças de perto, tentei falar com ele e levei uma mordida no braço. Com muito custo levei ele para dentro da sala e reparei que a cabeça dele realmente era enorme.Ele ainda soluçava e pedia "Quica". A escola ligou para o pai e pediu do que se tratava, (até pensamos que era o apelido da irmã) então, o pai disse que era fita, aquelas fitas antigas de música, fita cassete. e que quando o menino ficava nervoso ele colocava música para ele ouvir e isso o acalmava. Colocamos um CD e o menino acalmou-se em seguida.

Quando o pai chegou para buscá-lo, perguntei o que o Lucas tinha. O pai meio que disse, mas não explicou nada. Falei do que acontecera e que não estava conseguindo entender o que ele dizia. O pai disse que o menino estava tendo atendimento na APAE e que fazia fono.

Os dias se passaram e novos episódios aconteceram. Lucas não se relacionava bem com os colegas, zanzava pela sala, mordia os outros quando contrariado, pegava as coisas dos outros sem pedir,( principalmente lanche), limpava o nariz com os dedos e depois os dedos na roupa de quem estivesse na frente, e quando queria fazer xixi, tirava o pênis para fora antes de chegar no banheiro. Todos riam dele. Os pais dos outros reclamavam de suas atitudes e eu tentava explicar que ele era uma criança diferente, porque se falasse especial, eles entenderiam menos ainda.

Marquei uma entrevista com os pais à noite porque era o único horário que a mãe dispunha.Chegaram munidos de uma papelada que continha laudos, exames, boletins de atendimento, etc. Atendi-os na biblioteca. Lucas e a irmã estavam juntos. De repente, ouvi ele falar "Machado Do Assis". Como a fala dele, para mim, era de difícil entendimento, pensei que era impressão. Dali um pouco escutei "Alvares de Azevedo", me levantei e perguntei o que ele havia dito . Ele repetiu..."Álvares de Azevedo". Apontei para outro livro e ele leu o nome do autor. Vi que ele sabia ler. Perguntei ao pai se fazia tempo que ele estava alfabetizado. O pai respondeu que desde os quatro anos. (Ele tinha cinco e alguns meses). Naquele momento um mundo de possibilidades se abriu para mim e para o Lucas. Poderíamos nos comunicar por escrito. Li toda a papelada e descobri que ele tinha "Síndrome de Sotos"

Após tomar conhecimento do que se tratava, fui até a APAE com minha supervisora e conversei com os profissionais que lhe prestavam atendimento, para saber como eu procederia com ele. A resposta foi: Exatamente da mesma forma que você procede com os outros.

Com o passar do tempo, a maioria dos colegas já entendia o que ele falava, e adquiriram espontaneamente,um certo cuidado com ele. Tinham atitudes de proteção.  Auxiliavam-no no recreio, ajudavam-no nas escadarias, "traduziam" para os colegas das outras turmas o que ele falava, enfim, tudo transcorreu normalmente.

No ano seguinte, troquei de turma, fui para a primeira série para acompanhá-lo.

Atualmente ele está na terceira série,e desde o ano passado não sou mais a professora dele, mas nós ainda possuímos um vínculo afetivo muito forte.

Duas coisas que me marcaram, nessa história: A primeira foi o fato de ele nunca ter me chamado de professora, por mais que eu insistisse. Era sempre, Eunice.

A segunda foi o meu olhar sobre ele. Sempre olhei para ele imaginando uma possibilidade de "consertar" sua condição física, para que ele não sofresse com o preconceito dos outros, principalmente quando ele me olhava com aqueles olhos azuis enormes e não dizia nada.

 

 

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Embora a atual política educacional esteja preocupada com a inclusão de crianças portadoras de deficiência no sistema comum de ensino em classes regulares, temos comprovado a falta de alternativas pedagógicas qua facilitem essa inclusão.

A maioria das pessoas quando entra em contato com um deficiente, ficam inseguras, sem saber o que fazer, e  as vezes acabam tomando atitudes defensivas e preconceituosas, porém, ao conhecê-lo, saber como ele pensa, percebe, age, fala e sente,  se conscientiza de que ele é uma pessoa total e capaz..

 Pode ter dificuldades para realizar algumas atividades, ou mesmo para compreendê-las,  porém, isso  pode ser superado com a adaptação e a flexibilização dos objetivos e um planejamento mais individualizado,  contribuindo significativamente no enfrentamento dos obstáculos colocados pela deficiência. Porém é preciso tomar cuidado para não agir como se a deficiência não existisse. Há outras barreiras, além do suporte pedagógico a serem superadas.

A Escola Estadual  de Ensino Médio - Guimarães Rosa em que leciono, possui 42 professores atuando no presente momento, porém o quadro ainda está imcompleto. Algumas disciplinas ainda não estão sendo ministradas no ensino médio, por falta de professores. A escola funciona em três turnos e possui 957 alunos. Dentre esses, 5 são de inclusão. Um é aluno da área e apresenta deficiência auditiva, os demais são do currículo. Dentre os que frequentam o currículo, apenas dois possuem diagnóstico clínico e acompanhamento especializado, fora da escola. Nos outros dois casos, ainda está sendo feito um trabalho com os pais, no sentido da aceitação de que a criança  necessita de uma avaliação por profissionais da área da saúde, por apresentar problemas de aprendizagem há mais de quatro anos.

Como a deficiência mental não é aparente, os pais por falta de informação, tendem a cobrar dos professores uma solução. Mesmo quando esses alunos são encaminhados para uma avaliação à pedido da escola, as famílias se deparam com o problema de acesso à essa avaliação.

Por não possuirem recursos, ficam à mercê das instituições e dos serviços médicos,por mais de um ano, o que aumenta suas ansiedades e angústias e faz com que se sintam impotentes diante da situação.Por mais que a escola, tente centralizar seu interesse na resolução e não no problema,também se sente limitada e  admite que está só conseguindo garantir a integração e não o pleno desenvolvimento desses alunos.

 

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SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DO MUNICÍPIO DE CACHOEIRINHA

 

 

 

A Secretaria Municipal de Educação de Cachoeirinha, dispõe dos seguintes  serviços especializados para atender os alunos de inclusão da rede municipal

 

 

 

Salas de Integração e Recursos (SIR):

 

 

Estas se constituem em um pólo de atendimentos especializados, que são distribuídos pelo município e atendem as regiões estabelecidas. São 5 salas destinadas ao atendimento dos alunos do Ensino Fundamental; 1 para os alunos da Educação Infantil e do 1º ano; 1 para atender Deficientes visuais e 1 para atender Deficientes auditivos. Todas elas, contam com pedagogos com especialização na área. Estes profissionais além de atender os alunos nas salas de recursos, também realizam um trabalho de assessoria, e vão 1 vez por semana às escolas onde tem alunos incluídos para acompanhar os casos, conversar com os professores e auxilia-los nos planejamentos. Cada SIR atende em média de 20 à 30 alunos.

 

 

Projeto de Psicomotricidade Relacional e no Meio Aquático:

 

 

Este atendimento se dá mediante avaliação pela psicomotricista, que dispõe de uma sala de recursos e um convênio com uma academia de Ginástica que conta com piscina térmica, para realizar os exercícios no meio aquático. Atualmente atende 44 alunos da rede (entre EMEIs e EMEFs). O atendimento da psicomotricidade relacional, tem sua ação no brincar como unidade pedagógica fundamental. Utiliza de estratégias e intervenções para provocar a exteriorização corporal da criança, buscando melhorar as relações com todos ao seu entorno, inclusive consigo mesmo. Este atendimento no meio aquático, permite favorecer o desenvolvimento integral da criança, através de vivências envolvendo o corpo, lançando mão de movimentos técnicos e simbólicos como instrumento pedagógico.

 

 

Parceria com o CIAN:

 

Este é um Centro de Informática criado para dar suporte aquelas escolas que não possuem laboratório de informática. Neste caso específico o CIAN desenvolve um projeto de informática para alunos de inclusão com Deficiência Mental, onde é trabalhado, por exemplo: letramento; estruturação de frases; jogos matemáticos, entre outros. O CIAN atendem alunos do Ensino Fundamental e EJA.

 

 

 

Estes dados foram fornecidos pela Assessora de Educação Especial, Vera Romero, da SMED de Cachoeirinha. Em 27/04/09.

 

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   ESTUDO DE CASO

 

A fonte de informação mais importante para o educador traçar sua diretriz de ação junto ao educando é saber como ele é, como percebe, age, pensa, fala e sente.

Este estudo de caso tem o objetivo de compreender o desenvolvimento de uma criança com deficiência, identificando suas necessidades específicas e suas potencialidades, e a forma como ocorre sua inclusão escolar.

 

Identificação

 

Lucas H. 8 anos e 9 meses, aluno da 3ª série do ensino fundamental na Escola Estadual de Ensino Médio Guimarães Rosa, é filho de Celso e Dulce, ambos com 47 anos e irmão de Bruna de 14 anos, aluna da 8ª série.

Segundo o laudo da Dra E. Médica Geneticista, Especialista pela Sociedade Brasileira de Genética Clínica, o menino é portador da Sindrome de Sotos.

 

 

Laudo de Avaliação Genética Identificação

(realizado em 25 de janeiro

de 2005)

 

 " O menino Lucas B. nasceu com 8 meses gestacionais, pesando 2.270g e medindo 47 cm, perímetro cefálico de 34 cm. Não fala aos 4 anos e 5 meses, apresenta macrocrania e fácies típica de síndrome de Sotos.

O exame citogenético  convencional é normal e a pesquisa para X Frágil foi normal, o que afastou como diagnóstico diferencial da síndrome de Sotos, alterações cromossômicas e síndrome do X Frágil.

solicito: Acompanhamento fonoaudiológico

            Avaliação psicométrica - iniciar pré-escola

            Avaliação oftalmológica e ecocardiografia."

 

 

Laudo Neuropsicológico

(Emitido pela APAE em 0utubro de 2007)

 

" Lucas H. diagnosticado como portador da síndrome de Sotos, apresenta  associado a esse quadro, características da sindrome de Asperger : rituais ou comportamentos repetitivos; padrões de pensamento lógico/técnico extensivo; comportamento socialmente e emocionalmente impróprio e problemas de interação inter pessoal; transtornos motores, movimentos desajeitados e descoordenados. Outro dado importante é a ansiedade e as falhas em suas funções executivas, como organizar um comportamento. Apresenta sinais de depressão de etiologia neuro-orgânica, atraso no DPM, falha de memória auditiva imediata e descontrole dos esfíncteres, se fazendo necessário acompanhamento especializado."

 

*Síndrome de Asperger é um síndrome que está relacionado com o autismo, diferenciando-se deste por não comportar nenhum “atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou de linguagem”.

 

 

Histórico Familiar

 

A mãe de Lucas teve dois abortos espontâneos antes do nascimento de Bruna, irmã mais velha de Lucas, e após ela, um menino que nasceu morto, ao final dos 9 meses gestacionais. Dois anos depois nasceu Lucas de parto normal.

Nos primeiros 6 meses de vida, Lucas não apresentou nenhuma anormalidade em seu desenvolvimento. Após esse período, começou a apresentar sinais de macrocrania (volume do crânio superior ao normal). Foram solicitados pela pediatra exames de Tomografia Computadorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM) via SUS, os quais não foram feitos, pois os pais acabaram desistindo devido ao tempo de espera.

Até os quatro anos Lucas, ficou segregado dentro de casa, saindo apenas para tomar vacinas e ou realizar consultas médicas. Segundo a mãe, as pessoas perturbavam-se diante da aparência do menino e crivavam-na de perguntas para as quais ela não tinha resposta, e isso a incomodava.

A partir do diagnóstico, a família se organizou de forma diferente da habitual para atender as necessidades do menino. Pai e mãe inverteram os papéis. Ele abandonou o trabalho para cuidar do filho e buscar tratamento e ela que já estava no mercado de trabalho, permaceu.

Aos 4 anos e meio Lucas pode realizar os exames solicitados, devido a aquisição de um plano de saúde. Neste período ele ainda não falava, tinha dificuldades de locomoção e não controlava os esfíncteres.

 

 

Primeiro contato com a Escola

 

A conselho médico, Lucas ingressou na creche Chapeuzinho Vermelho, ao final de 2005, onde permaneceu por 8 meses. Neste mesmo período, o pai conseguiu atendimento para o filho na APAE de Cachoeirinha, oferecendo-se como voluntário para serviços gerais. Lucas passou por uma avaliação e foi encaminhado a fonoaudiologia. Em 2006 foi iniciou atendimento com a psicomotricista, por apresentar atraso no desenvolvimento psicomotor (DPM).

Devido a dificuldade de locomoção de Lucas, seu pai foi orientado a procurar uma escola mais próxima de sua residência e foi assim que ele chegou até mim e a nossa escola.

Algumas das dificuldades encontradas por mim e pelo menino, já foram relatadas no início deste dossiê. Um fato importante, que merece destaque é como ocorreu a alfabetização de Lucas, pois  quando ele chegou até mim, já sabia ler. Em entrevista realizada com os pais, descobri que a fonoaudióloga havia recomendado que alguns exercícios fossem feitos em casa e a irmã, havia ficado incumbida dessa tarefa. Ela se cansava de ficar repetindo as letras então se utilizou de um alfabeto móvel e procedia da seguinte maneira: Pronunciava uma ou duas vezes a letra e depois só mostrava e o irmão repetia tantas vezes fosse necessário. E assim foi com as palavras. Ela formava a palavra, lia e depois desorganizava as letras, o irmão reorganizava e "lia". A aquisição da escrita ocorreu na pré-escola.

 

 

 

 

A prendizagem

 

Desde o início, tínhamos expectativas positivas quanto a aprendizagem de Lucas. Durante o processo, a cada encontro com os alunos esta se tornava maior, pois a cada atividade realizada atingíamos um novo estágio de desenvolvimento e aos poucos íamos percebendo que o que esse aluno “especial” desejava, sonhava e esperava era sentir-se  atuante e capaz como qualquer outro aluno. 

O interesse que possuía em aprender, bem como diferentes situações organizadas didaticamente,  contribuíram com sua aprendizagem, e aos poucos fizeram com que ele fosse adquirindo competências e desenvolvendo habilidades para permanecer na escola. Os demais alunos, professores e funcionários aprenderam a conviver com as diferenças e desenvolver a tolerância, pois Lucas tinha dificuldade de interação social, falta de empatia, dificuldade com mudanças, perseveração em comportamentos repetitivos, dificuldades na fala, porém, um desenvolvimento cognitivo alto e memória fotográfica.

Um episódio interessante foi quando ele " decorou "  o calendário. Após olhar para o mesmo por alguns minutos, sabendo dizer em que dia da semana caía qualquer dia do mês. Alguns alunos maiores perguntavam para ele em que dia da semana caía o dia 30 de fevereiro, numa tentativa de confundí-lo, e ele respondia indignado, que este dia não existia.

Com o passar do tempo, Lucas melhorou sua auto-estima e confiança, superou as dificuldades iniciais, e passou a ter uma convivência mais tranquila com os colegas. O atendimento integrado que realizou na APAE, melhorou significativamente suas habilidades psicomotoras e a capacidade de comunicar-se.Muitas vezes os colegas ficavam impacientes e acabavam terminando as frases por ele, então foi preciso ensiná-los a ter paciência para ajudar Lucas a comunicar-se. Atualmente, não frequenta mais a fono e expressa-se com grande desenvoltura.

 

 

Lucas frequenta em turno inverso ao da escola, o projeto Segundo Tempo da Prefeitura Municipal de Cachoeirinha onde tem acesso a prática de atividades coletivas como futebol, vôlei e basquete; e individuais como judô, capoeira e atletismo, que auxiliam seu desenvolvimento psicomotor e a compreender melhor regras.

 

 

Informações de Avaliação

 

Uma boa avaliação é aquela planejada para todos, em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma. Ele deve dizer o que aprendeu e o que acha interessante estudar e como o conhecimento adquirido modifica a sua vida.

Desde o início da escolarização de Lucas, tivemos bem claro que o importante era que ele participasse de todas as atividades escolares da forma como pudesse, incentivando-o a fazer as mesmas tarefas do resto da turma, porém não lhe fazíamos exigências iguais. Suas aprendizagens ocorriam no seu tempo e a seu modo, pois para nós o importante era que ele construísse conhecimento e se integrasse com a escola.

Suas primeiras avaliações foram feitas através de parecer descritivo, atualmente as aprendizagens dos alunos de sua série (3ª) são convertidas em notas e segundo sua professora, sua nota é bem acima da média dos alunos da turma. Ele apresenta uma aprendizagem significativa, realiza as atividades com compreensão e demonstra interesse em aprender. Escreve corretamente (sem erros de ortografia) e expressa as idéias de forma concatenada.

As vezes fica irritado por não conseguir terminar as atividades juntamente com os demais, pois gosta muito de brincar com os colegas. Embora muitas vezes não consiga acompanhar as brincadeiras e jogos, ele permanece e participa.

Quanto ao comportamento, apresenta uma certa impaciência e autoritarismo com os colegas e a professora. Não aceita críticas e que lhe façam alguma coisa que não goste, é vingativo e não esquece tão fácil o problema.

O aluno apresenta alguns cacoetes e em muitos momentos parece se isolar, ficando envolvido com seus pensamentos, sorrindo e falando sozinho, ou então balançando-se através de movimentos repetitivos para frente e para trás, ignorando o que acontece em seu entorno.

(Depoimento de sua professora Isabel)

Sua terapeuta atual não forneceu nenhum laudo sobre seu acompanhamento, porém conversou comigo sobre o diagnóstico e alguns procedimentos que já foram mencionados anteriormente.

 

As informações aqui postadas, a autorização de acesso junto a APAE e aos laudos aqui reproduzidos, bem como a exibição de imagens, foram autorizadas através de documento redigido por mim e assinado pelo pai de Lucas que colaborou com este estudo de caso.

Outros dados e acontecimentos aqui relatados foram adquiridos através de entrevista semi-estruturada e ou conversas informais com a família, com a psicóloga da APAE, com o próprio Lucas e com a professora Isabel que é regente de sua série atual.

Também vali-me de minha experiência com ele, por dois anos e de algumas pesquisas na internet, cujos sites estão aqui referenciados:

www.amar-ela.com/sindrome-de-asperger

pt.wikipedia.org/wiki/Síndrome_de_Sotos

 

 

Conclusão

 

As leituras disponibilizadas pela interdisciplina EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS  em diferentes ocasiões e os escritos aqui realizados para atender as solicitações deste estudo de caso, versaram sobre temas que provocaram diversas reflexões, dentre elas,que muito há ainda para se fazer para que os alunos especiais não sejam apenas compreendidos e aceitos, mas acolhidos e valorizados.

Todos, crianças, jovens e adultos, em sua condição de seres humanos, têm direito de beneficiar-se com uma educação que satisfaça suas necessidades básicas de aprendizagem no sentido mais pleno do termo, uma educação que signifique aprender e assimilar conhecimentos, aprender a fazer, a conviver e a ser.

Trabalhar com a educação inclusiva é uma missão, uma tarefa e requer uma tomada de consciência: O professor pode ser o primeiro fator da inclusão ou não de uma criança com necessidades educacionais especiais.Ele tem que ser responsável para garantir o direito à educação e não se preocupar apenas com a transmissão de conhecimentos, mas também com o afeto, o calor humano e oferecer uma escola e ensino de qualidade.

A condução de uma prática educacional para a criança especial deve dirigir-se no sentido de uma profunda sensibilidade para com ele. Adotar práticas criativas em sala de aula, adaptar o projeto pedagógico, rever posturas e contruir uma nova filosofia educativa no que diz respeito ao currículo, a avaliação e principalmente, às atitudes é um grande fator de inclusão. 

O professor não precisa ser um especialista em deficiência para ensinar. Minha experiência com Lucas mostrou que mesmo sem ter noção do que teria que ser feito, eu fiz. Procurei analisar a natureza de suas dificuldades para planejar um programa de  intervenção e apoio que possibilitassem sua aprendizagem.

Depois de tantas dúvidas e inquietações, concluo este estudo de caso com a certeza de que somos todos diferentes, agimos de jeitos diferentes, pensamos de forma diferentes, sentimos com intensidades diferentes e agradeço ao meu ex-aluno diagnosticado "diferente" por ensimar-me a ser e a pensar diferente.

Eunice Dalla Vecchia Gasparin

 

 

 

 

 

Comments (6)

Daniela said

at 11:01 am on Apr 10, 2009

Bom dia Eunice,
Excelentes colocações em seu texto. Você relata o caso de Lucas, seus problemas de relacionamento com os colegas, a vergonha que ele sente por entender que é uma criança 'diferente' das outras, a reação dos colegas, que em um primeiro momento foi de repulsa e ironia e depois passou para o caolhimento. A 'vergonha' do pai quando levou o menino a escola no primeiro dia e nada falou. Enfim, você fez uma série de reflexões que vão desde sua própria prática inicial e seu estranhamento em relação à Lucas até sua percepção de que haviam muitas possibilidades para o aluno e para você. Gostei do fato de ter feito um link explicando a Síndromo de Soto, ficou bem didático. Eu mesma não conhecia a síndrome. Sugiro que você faça um link direto de sua front page para seu Dossiê de Inclusão para facilitar ainda mais o acesso de seus leitores. Você terá, com certeza, importantes contribuições a fazer.
Uma ótima Páscoa!
Abçs,
Daniela

fernanda.pead@... said

at 12:23 pm on Apr 21, 2009

Oi Eunice!!! Linda a imagem que colocaste! O relato de sua vivência denota o quanto estiveste envolvida no acompanhamento do Lucas e atendimento as suas necessidades, observando seu comportamento, procurando conhecê-lo, buscando dados com a família e outros profissionais, tudo para auxiliá-lo. Reforço o que a Daniela disse sobre o link que remete à síndrome, facilita o entendimento do leitor. Agora é só dar seguimento ao dossiê com a atividade da unidade dois. Sugiro que no seu wiki pessoal, cries um link no sidebar para o dossiê.
Bom feriado!
Abraços, Fernanda.

fernanda.pead@... said

at 11:22 am on May 6, 2009

Olá Eunice!!
Os apontamentos em seu texto estão muito bons. Ressaltas a importância de realmente conhecer a pessoa, o ser humano, que apresenta alguma deficiência. Já escolheste um aluno para seu estudo de caso? Este é o próximo passo!
Abraço,
Fernanda

fernanda.pead@... said

at 10:42 pm on May 17, 2009

Boa noite, Eunice!

Apresentaste os serviços especializados de forma bastante clara e organizada. Poderias acresentar uma reflexão final sobre estes serviços que seu município dispõe. Seu dossiê está bem encaminhado! Aguardamos seu estudo de caso.
Grande abraço,
Fernanda

fernanda.pead@... said

at 5:34 pm on Jun 5, 2009

Olá, Eunice!
Os dados que apresentas em teu estudo de caso possibilitam ao leitor visualizar o aluno, sua história familiar e escolar e seu quadro clínico. Gostei muito dos dados que conseguistes coletar. Quando escreveste: Eu ficava me questionando como uma criança com aquele histórico, aprendera a ler?, trouxe-me uma idéia de desconsideração ao seu potencial. Quem sabe se escreveste enfatizando justamente a aquisição da leitura e escrita antes mesmo da escolarização? Em relação à organização, fizeste um relato histórico dos dados, não é mesmo? Se esta foi tua opção, seria interessante mencioná-la no início da apresentação do estudo de caso. Senão, poderias reorganizá-las segundo as tarefas de cada unidade: definição do caso, identificação, com história familiar e escolar, e informações de avaliação, diagnóstico e acompanhamentos realizados. Para o leitor, facilitaria se as informações sobre as avaliações com especialistas estivessem juntas. As informações finais sobre a autorização para o uso da imagem do menino e dos dados são muito relevantes e qualificam o teu trabalho. Parabéns!
Grande abraço!
Fernanda

fernanda.pead@... said

at 8:55 pm on Jul 12, 2009

Oi Eunice!
O seu Estudo de Caso denota o envolvimento com a interdisciplina ao longo do semestre. Percebi que o reorganizaste, tornando a apresentação mais clara. Sua reflexão final retrata sua imersão na temática da inclusão e apresenta conclusões que partem da própria experiência com a educação inclusiva, valorizando muito o lado humano e o respeito às diferenças. Parabéns pelo seu trabalho!
Um abraço,
Fernanda

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